nadaTUDO

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CURADORIA

Franzoi enquanto curador selecionou nove fotografias/pinturas da série My Melting Spring de Rodrigo Ormond para compor a exposição nadaTUDO na Galeria Municipal de Arte Pedro Paulo Vecchietti, pertencente a Fundação Franklin Cascaes. O conceito curatorial foi pensar o espaço expositivo como um corpo poético e se aproximar dos conceitos da intervenção e da instalação. Ao optar em plotar seis das fotografias/pinturas diretamente na parede e imprimir as outras três em canvas e colocar chassis, discute a relação da pintura no espaço e extrapola o conceito de fotografia. A galeria já não é mais apenas uma caixa branca mas sim um corpo/paisagem que reverbera na dimensão temporal e faz com que o espectador entre dentro da paisagem, anteriormente captada pela lente do artista e agora ressignificada enquanto arte.

 

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Exposição

Só silêncio em nadaTUDO

O Homem Perante a Natureza, por Blaise Pascal (1623-1662), é ponto de partida para um mergulho na exposição nadaTUDO de Rodrigo Ormond.“Afinal que é o homem dentro da natureza? Nada, em relação ao infinito; tudo, em relação ao nada; um ponto intermediário entre o tudo e o nada. Infinitamente incapaz de compreender os extremos, tanto o fim das coisas quanto o seu princípio permanecem ocultos num segredo impenetrável, e é-lhe igualmente impossível ver o nada de onde saiu e o infinito que o envolve”.

Ao transformar a galeria em um corpo que reverbera no espaço, Ormond propõe essa reflexão quando permite ao espectador a sensação de ser imediatamente tragado pela imensidão das cores que pulsam incrustadas nas paredes.

Cada massa de cor está permeada por uma vastidão invisível de nada ou de TUDO e diante desse universo está o ser humano à procura de um sentido da arte e da própria existência no espaço. O nada e o TUDO ali, como em qualquer lugar, não são absolutos, porque nada existe nessa condição, TUDO e nada co-existem, se constituem um do outro, de falta e de existência. Não existe o nada sem o tudo e nem o tudo sem o nada.

Ormond, fotógrafo que estreia nas artes visuais, discute a imagem enquanto meio e não como fim. Busca captar o resultado do movimento existente no cronotopo. Ao abstrair completamente as formas, revela cores e ritmos antes inexistente a olhos nus, transforma a fotografia num objeto poético em favor da pintura e apresenta outra realidade sensorial. Faz com que o inusitado alcance desdobramentos anteriores e posteriores da imagem captada. Extrapola o suporte, a relação entre o interior e o exterior da pintura, configura impactos de cor, de peso, de linhas e chega a fragmentação do espaço onde a dimensão temporal se evidencia.

Ao dialogar com conceitos da intervenção e da instalação, atesta a fotografia como técnica e não como linguagem expressiva, demonstra que a tecnologia é útil para o encantamento. O artista pensa o espaço como um corpo sublime e coloca o ser humano diante e além da paisagem e da sua natureza: convite para um mergulho pictórico.

Blaise Pascal disse “O silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora”. É possível falar, então, que no vazio completo, na energia cósmica cristalizada, esse nadaTUDO é só silêncio…

Franzoi

 

Processo e inspiração

Questionando o sentido popular atribuído a capacidade da fotografia Rodrigo Ormond apresenta um ambiente criado ao seu mundo, um mundo que segundo o artista nos desperta os sentidos de forma inconsciente . Para isso ele eliminas as informações simbólicas e entrega um universo de cores e ritmos.

As imagens selecionadas pelo curador Franzoi para compor a exposiçãonadaTUDO serão apresentadas em uma instalação com peças de 2,35m de altura e algumas chegando aos 5m de largura. ” O objetivo é criar esse universo de sensações que estamos sempre envolvidos mas muitas vezes, por mais que estejamos impactados por ele, não nos damos conta das forças psicológicas que nos afetam antes dos nomes e símbolos. Perceber essas forças nesses espaços me inquieta, de onde encontramos nomes pontuais, com minha produção pretendo preencher esses espaços com sensações e eliminar os nomes” Rodrigo Ormond

 

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CURATOR

 

As a curator, Franzoi selected nine photos/paintings from the “Melting Spring” series by Rodrigo Ormond to compose the nadaTUDO (nothingEVERYTHING) exhibition at the Pedro Paulo Vecchietti City Art Gallery, which belongs to the Franklin Cascaes Foundation. The curatorial concept was to think of the exposition space as a poetic body and get close to the concepts of intervention and installation. By opting to plot six of the photographs / paintings directly on the wall and print the three others on canvas and put chassis on them, he discusses the relationship of painting in every space and goes beyond the concept of photography. The gallery is no longer a white box but an independent  body/landscape that communicates the timeless dimensions and makes the viewer feel as if into the landscape previously captured by the lens of the artist and now finding new meanings as art.

 

 

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Exibhition

 

Only silence in nadaTUDO (nothing EVERYTHING)

Man Against Nature , by Blaise Pascal (1623-1662) , is the starting point for a dip in the nadaTUDO exhibit by Rodrigo Ormond. "After all, what is man when it comes to nature? Nothing when it comes to infinity; everything when it comes nothing; an intermediate point between everything and nothing. As we are infinitely unable of comprehending the extremes, both the end of things as well as its beginning remain hidden in an impenetrable secret, and it is equally impossible to see the nothing from the place where the infinity that surrounds it comes from."

By transforming the gallery into an independent  body that communicates the space, Ormond invites viewers to reflection while they feel immediately swallowed by the immensity of colors that pulse through the embedded walls.

Each mass of color is permeated by an invisible hugeness of nothing or EVERYTHING. Staring at the universe, human beings look for a sense for art and existence in space. Nothing and EVERYTHING are not absolute things, because nothing is. EVERYTHING and nothing co-exist, one is filled with the other, lack and existence. There is nothing without everything and no everything without nothing.

Ormond is a photographer who debuts in the visual arts and discusses the image as a means and not an end. He tries to capture the results of the chronotope movement by completely abstracting the shapes, while revealing colors and rhythms previously nonexistent before naked eyes. He makes photography a poetic thing by featuring other sensory realities. He causes the unusual to reach earlier and later developments of the captured image. He goes beyond the support, the relationship between the painting’s inside and outside. He sets color, weight and line impacts, reaching the fragmentation of the space where the temporal dimension is evident.

To engage with the concepts of intervention and installation, he testifies photography as technique and shows technology as something useful for the audience’s enchantment. The artist thinks of the space as a sublime body and puts the human being before and beyond the landscape and its nature: an invitation for a pictorial dive.

Blaise Pascal said "The eternal silence of these infinite spaces terrifies me".  You can then say that in complete emptiness, in the crystallized cosmic energy, this nadaTUDO is only silence...

Franzoi

Process and inspiration

Questioning the popular meaning given to the ability to make photos, Rodrigo Ormond presents an environment created to his world, a world which unconsciously awakens the senses. For that purpose, he knocks out the symbolic information and delivers a universe of colors and rhythms.

The images selected by curator Franzoi to compose the exhibit nadaTUDO will be displayed in an installation with parts 2,35 m tall and some reaching 5m wide. "The goal is to create the universe of sensations that we are always involved by but often do not realize, such as the psychological forces that affect us before the names and symbols. Perceiving these forces in such spaces thrills me. With my art production, I intend to fill out those spaces with sensations and take away the names".

Rodrigo Ormond